Encruzilhada

Encruzilhada

domingo, 30 de junho de 2013

Um poema por dia - 25/06 - traço retrato

25/06

traço retrato

homem grande
calça larga
barriga dura
magra
inchada
pelo no rosto
grosso
denso
tenso
desenha pesado
seu próprio retrato
vago
fraco
velho
falho
num traço inquieto
abjeto
objeto
no projeto
de si mesmo
por completo.

Um poema por dia - 24/06 - Desconcentrado

24/06

Desconcentrado

Boto seu perfume
Pra tirar o cheiro de saudade
E desisto de sair
Melhor ficar
No meu lugar
Num retiro trôpego
Bêbado de tédio
Com o remédio
Ao meu alcance
E não me lanço
Luto imóvel
E estou sendo derrotado
Pela distração
Num misturar amargo
Paciência, resignação

Prudência, peço
Presença, posso
Potência, escassa
Doença, passa.

sábado, 29 de junho de 2013

Na hora H. um micro-conto sobre o dinheiro

Na hora H.
um micro-conto sobre o dinheiro

Quando nasceu, já tinha dinheiro. 

Cresceu, com dinheiro.

Adulto, tinha muito dinheiro. 

Já era empresário e foi para a televisão. Ganhar mais dinheiro.

Faturou com pessoas, com jogos, com empresas.

Faturou mais quando mudou de ares na TV. 

E passou a ajudar os pobres. Ganhando muito dinheiro no intervalo.

Um homem bom. Que ganhava muito dinheiro assim.

Casou. Com uma mulher famosa, branca, alguém com quem pudesse formar um casal midiático, no cinema, na TV, na revista. Maximizou os lucros.

Teve filhos de traços angelicais. O valor econômico da família disparou. Se cobrava por um quando fazia propaganda, agora poderia cobrar por quatro e ganhar mais.

Tinha imagem ilibada. E ganhava. Ganhava muito dinheiro com isso.

Sua imagem era tão boa que ganhava dinheiro com o fato de ganhar muito dinheiro.

De tanto dinheiro, tanto sucesso, havia quem o queria para presidente do Brasil, um dia.

Vendia remédio e ganhava muito dinheiro.

Tênis, muito dinheiro.

Refrigerante, celular, dinheiro, dinheiro.

Banco! Muito, muito dinheiro.

Vendia o que pudesse vender. E ganhava mais dinheiro.

Um dia, de tanto dinheiro, EXPLODIU.



sexta-feira, 28 de junho de 2013

Um poema por dia - 23/06 - O que há acima do entardecer

23/06

O que há acima do entardecer

Voamos ao nível do ar
No alto do céu
Uma estrela a mirar
Por lá
Passado entardecer
Não é noite
É algo além
Um porém
Visão
Abaixo escuridão
Acima, imensidão
E à altura do olhar
Não há coisa, nem gente, nem lugar
Só uma faixa larga, inalcançável
Estendida afinal
Por tons de azul
Do celeste ao real
Sobre um laranja poente
Desvanecente, ainda que imponente
Em cores, o horizonte berra
Seu pedaço de beleza mesclada
Sobre as nuvens
Sobre a terra
Uma linda fatia de nada.

Um poema por dia - 22/06 - Adiós

22/06

Adiós

Empezar é para começar
Uma despedida com jeito de 'até logo'
Porque vou voltar
Volver
Aos braços simpáticos do Uruguai
O caminho colorido
Com ou sem frio
De frente pro rio 
Da Plata, com pinta de mar
E o linguajar
Essa fala rápida,
Ácida
Irônica, claro!, de molejo vocal
Com a rebeldia da vogal
Que se esconde
Vai por onde
Não se espera
Pudera;

Língua graciosa,
Engraçada e muy hermosa
Onde acredite, a fome é leve
'Hambre'
Não à toa
A comida é muito boa;
Para falar há de romper-se com a dureza
De uma boca, com certeza
Carregada numa dança
Da palavra.

Dale Dale,
Por favor;
Adelante,
Mi amor.

Me voy, pero volveré,
Tu, conmigo, llevaré!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um poema por dia - 21/06 - O poeta ao sul

21/06

O poeta ao sul

Enquanto a noite é noite
Ainda que não negra, azul
O poeta caminha ao sul
Com pensamentos voltados para seu povo
De anseios difusos, confusos, obtusos;

Ao que o brilho do céu alcança o mar,
Que não é mar, é rio
O poeta vê o desvio
No caminho concreto
Ainda que de traço incerto
Que o povo trouxe pelos anos
E mesmo longe, o poeta sente um fio de esperança
Pelo dia em que recolher-se-á a lança
Num grito de mudança
Que não perca a temperança
Da democracia tardia
Deste gigante natureza
De inestimável nobreza e beleza;

Enquanto a névoa estende seu véu no horizonte
O poeta imagina uma ponte
Entre passado, presente e futuro
Pensando que é duro, mas puro
O caminho até o outro lado do muro.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Um poema por dia - 20/06 - Temor manifesto em versos

20/06

Temor manifesto em versos

Temo.
pela ignorância
a intolerância
pelo ódio

No início, eram jovens,
unidos na rua;
lutaram, apanharam
difamados, seguiram;
venceram

De jovens, tornados muitos
milhares;
de unidos a inchados
bradando ufanismos pela rede
pelas ruas;
anônimos americanos
com frases de comerciais capitalistas
e chamavam-se nacionalistas
fascistas

Com vontade de falar
de protestar
contra tudo. contra todos.
com raiva, com ódio. 
de tudo. de todos.
como queriam os velhos, os de sempre
os de ontem.

Temo.
tudo é escolha
a não escolha é escolha
o não lado é um lado.
o 'não' é.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Um poema por dia - 19/06 - Sinto tanto

19/06

Sinto tanto

Sinto.
Tudo.
Se não tudo, tanto.
A cada segundo um pensamento
Um anseio por respirar
Um temor a cada momento
Um mundo novo a cada olhar

Sinto, a cada instante, um lamento
Um sofrimento
Sinto adiante um sonho em recolhimento
Uma inércia ao avançar de cada dia
Um vazio
Nós, reféns da nossa vida
Em perigo

Com domínio fraquejante
Poder hesitante
Em mudar, em renascer
Reinventar
Sinto a enorme força a me deter
Vem daqui, bem do centro do desejo
E sinto o impulso firme a me mover
Bem aqui, vem de dentro de mim mesmo.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Um poema por dia - 18/06 - A casa do povo

18/06

A casa do povo

A casa do povo tem no sol
Seu primeiro convidado
Banha-se de calor
As águas calmas lhe beijam os pés

Um tanto de arte
A arte de uma vida
Uma vida de arte

Um pedaço do Uruguai
Eterno Uruguai
Repousado sobre pedra

Uma escultura para se viver
Para se estar
Para se habitar

A casa do povo põe o horizonte a mirar
Uma linha branca sob o céu
Sobre o mar
Como o hiato entre duas bocas
Prestes a se encontrar

O sol se deita, as águas dançam
O céu se fecha, o artista vive.
A arte vive, o povo vive.
A casa vive.



#timmaia


"O Brasil é o único país onde prostituta tem orgasmo, cafetão tem ciúme, traficante é viciado, e...

 POBRE É DE DIREITA."


Poemas em vídeo - Outro

*NADA a ver com Anynomous, por favor. Apesar de publicado agora no blog, o vídeo foi feito muito antes disso tudo e a máscara, apesar de ser igual à de Guy Fawkes, é uma recordação de Veneza.


Um poema por dia - 17/06 - La poesía de Colonia

17/06

La poesía de Colonia


La melancolia que és?
       Lo que me enfria los pies


El sonido del mar
        En una ciudad a helar


Pasado
        Hasta donde la vista alcanza



La tranquilidad del silencio
    Del viento
         Como se vive en la piedra?
              Paso a paso en el tiempo.


La poesía de colonia 
    Se escribe en pretérito
        El verbo de quién llegó;


De quién pasó
      De quién partió
            De quién murió.


domingo, 23 de junho de 2013

Um poema por dia - 16/06 - Montevidéu

16/06

Montevidéu

a cidade cinza me oferece um abraço
à beira-mar do rio
o céu nublado me avisa
suas árvores são a beleza
da tristeza
um pesar por um inverno não chegado.
o vento me rasga a cara,
me gela o coração;
mas o frio também revive
o poder de uma paixão;
vamos, tranquilos, caminhando adiante
por um caminho de amigo, de amor
sem saudade, sem destino,
sem lamento, sem rancor.

sábado, 22 de junho de 2013

Um poema por dia - 15/06 - Estudo de rima em inglês

15/06

Estudo de rima em inglês

It starts with your heart
It's only a start
But soon a depart
As you're playing your part
Keeping apart
What's left of your art.

It is hard
Get away from retard
With no special regard
No reward
To lose by your card
What's left of your yard.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Um poema por dia - 14/06 - Cinco vezes ao dia

14/06

Cinco vezes ao dia

Sinto sua falta cinco vezes ao dia
No doce da boca
O amargo da falta
A tristeza de um brinde
Em taça desacompanhada

Uma casa parada
Cama pela metade
A ausência do corpo
Vazio da vontade

Te sinto cinco vezes ao dia
No jantar, na sobremesa
Ao chegar, sem luz acesa

A dormir, pensando em ti
A deitar, sozinho, aqui.

temor

ao amanhecer, era um canto
pela manhã, um grito
ao meio-dia, um ato
à tarde, intimidação
ao entardecer, violação
à noite, escuridão.

e sem o sol, não havia mais canto,
não havia mais grito,
não havia mais ato,
não havia mais nada.

só escuridão.
vasta e fria escuridão.




quinta-feira, 20 de junho de 2013

Um poema por dia - 13/06 - WWW.

13/06

WWW.

Eu posto. Curto.
Navego. Muito.
Tuito.
E me excito
E me irrito
Com qualquer coisa.

A gente lê
A gente vê
Qualquer coisa
Uma coisa qualquer
Pra esquecer.

Somos quem queremos ser
Somos quem dizemos ser.
Somos? Como somos?
O que fazemos,
O que mostramos,
O que escrevemos?

"O que está acontecendo agora?"
O que fazes, sem demora
O que pensas, não enrola
Ou só enrola
E passa a hora
Perdido num mundo irreal
Com pessoas virtuais
Banido pra uma vida ideal.

Filmes e Memorabilia 2013 - Além da Escuridão Star Trek e O Homem de Aço

84. Além da Escuridão Star Trek - 14/06 - cinema



85. O Homem de Aço - 19/06 - cinema




Confesso que, pra mim, já deu; 
estou CHEIO;

dos diálogos espositivos, da história explicadinha, da esterilidade e da insensibilidade;

das megalomanias;

das propagandas escancaradas na minha cara como se eu não fosse perceber;

de adorar heróis e pessoas que não falam a minha língua;

do lixo americano, um fast food travestido de arte, me sendo empurrado garganta abaixo; 

da glorificação do exército americano;

dos bons atores desperdiçados, acomodados e dos que se prestam a isso; 

das boas atrizes restritas ao papel de mocinha em perigo; 

dos machos castrados que submetem as mulheres a serem usadas no cinema como alívio sexual e das mulheres que se submetem a isso e a coisa pior;

da submissão por dinheiro, sucesso, carreira, atenção;

dos efeitos especiais, do barulho, da velocidade, de tudo isso, tanto assim;

dos americanos destruindo, destroçando cidade atrás de cidade, revivendo de novo e de novo um sombrio desejo de morte em massa;

de ser tratado como adolescente;

de querer ser criança na sala escura;

Quando era novo, esses filmes me faziam querer brincar. Mal podia esperar pra chegar em casa e encarnar o herói que eu tinha acabado de ver no cinema. 

Hoje, eles me fazem bocejar, me enjoam, me irritam, me entristecem.

São os filmes? Sou eu.

Estou cheio.

Mudei. Ou estou mudando.

Desculpa aí, quis desabafar.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Um poema por dia - 12/06 - Olhos coloridos num quadro preto e branco

12/06

Olhos coloridos num quadro preto e branco

Teus olhos me chamam
Me enganam
De que estás aqui

Teus olhos castanhos
Estranhos
Revelam o que esconde de ti

Olhos de misterio
Impassíveis
Enfeitam semblante sério 
Impossíveis

Olhos assim, vivos de mel
Olhos pra mim, fazem-me réu
Do olhar, a julgar
À seus olhos, me explicar.

Um poema por dia - 11/06 - O som do silêncio

11/06

O som do silêncio

Silêncio. Silêncio. Silêncio.
Três tons de silêncio.
A toada da noite nebulosa
É sedutora, é libertária.
Muito pode ser o silêncio
E nele, pode-se muito;
Silêncio é música da escuridão,
Decifrado teu enigma
Eles o devorarão;
Silenciado, calado, poupado,
Presente, o silêncio potente;
Anuncia o que é preciso
Não avisa o que leva consigo;
Aqui chegou, aqui recai,
Mistério curvo, vazio intenso;
Do nada vem, pro nada vai
E o resto que há, "o resto é silêncio".

domingo, 16 de junho de 2013

Um poema por dia - 10/06 - Carta ao irmão

10/06

Carta ao irmão

Caro irmão,
Acalma teu coração
Que estamos juntos na dor.
Pensemos grande,
Pensemos juntos;
Lutemos pelo que nos pede a alma
Acima de dinheiro ou conforto
Ou qualquer coisa.
Vamos. Vamos os dois, hoje
Agora, sem brecha pro depois
Que hoje há pouco a perder.
Um dia de cada vez.
Treino de atleta,
Ensaio de artista,
Nossa vida, nossa luta, um dia de cada vez.
Paciência é uma virtude
Quando combinada ao movimento;
Pensar é bom, fazer é sobreviver,
Inspiração que lava alma e coração.
Te acompanho, meu irmão,
Na luta de teu dia a dia
Com fé, com sonho
Sou teu parceiro, teu escudeiro
Tua família.

sábado, 15 de junho de 2013

Um poema por dia - 09/06 - Canto da saudade

09/06

Canto da saudade

Saudade é um bicho que cresce no peito
Luta pra sair, de qualquer jeito
Pela boca, num grito
Lágrimas nos olhos
Pelas mãos, um escrito

Um lamento
Saudade se refugia em pensamento
Do amor que é e não está
De quem se foi e vai tardar
A voltar
Pro peito que sofre
Quase explode
Ansioso de um encontro
Da retomada do mesmo ponto

O corpo inundado em memórias
Tão fortes e tão transitórias
A pele de um é de dois
O toque evocado depois

Saudade, força que impera
Inteira o corpo na falta
Nascida em vazio, ausência
Saudade me toma a consciência
Saudade que pesa a distância daí
Saudade me tem, saudade de ti.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Um poema por dia - 08/06 - O sábado, 8 de junho

08/06

O sábado, 8 de junho

Eles me pedem um poema
Versos para e sobre este dia
Será este então meu tema
Amizade, saudade, alegria

Cá estamos, meus amigos
Mais velhos, mudados
Movidos, rodados
E ainda sorrimos

Agora com filhos
Casados, crescidos
E ainda sorrimos

Ao som do samba de outros tempos
Cantados por todos, a plenos vocais
De hoje os lamentos de sempre trazemos
Lamentos de sempre e tão atuais

As queixas nos unem, os risos também
Histórias de agora e do passado nos vem
Estamos aí
Ainda a sorrir

Vamos mudar, vamos partir
Vamos cantar, vamos sentir
Vamos beber, vamos curtir
E até lá, a última hora
Estaremos aí
Ainda a sorrir.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Um poema por dia - 07/06 - Lamento do presente

07/06

O temor e o lamento

Temo
Que nunca mais sejamos esses
Esses aí
De sorrisos em fotografia
Esses aí
Unidos em calor de noite fria
Esses aí
E nunca mais sejamos a palavra
Esses aí
Caminhando em mesma estrada
Esses aí
E nunca mais os daquele rio
Esses aí
E nunca mais iguais por um vazio
Esses aí
Temo que nunca mais sejamos esses
Esses aí.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um poema por dia - 06/06 - "Há urgência em estar vivo!"

06/06

"Há urgência em estar vivo!"

é preciso.
mais ainda, digo.
é urgente.
fazer-se gente
fazer-se homem
desfazer-se homem
é preciso perder
é preciso partir
é urgente sofrer
é urgente cair
doer
sentir
ver, ver, ver
e ouvir
saber
o quê, pra quê,
mais do que porque
é preciso
precisar
uma precisa urgência
é preciso
estender
tensionar
confrontar
revelar
reagir
construir
é urgente
é preciso
"há urgência em estar vivo!"

#comediarussa

"chafurdar num monte de excremento é o paraíso da mosca. pior nós, que chafurdamos na merda e sequer podemos voar".

(ou algo mais ou menos assim)

in: 'Comédia Russa', de Pedro Brício

Um poema por dia - 05/06 - O meio

05/06

O meio

É sempre o meio
A porra do meio
O meio do caminho
Entre o quente e o frio
O meio morno, vomitado
O meio de fato.

O equilíbrio é o anseio
Mas é também o meio
De sobrevivência
Entre a presença e a ausência

O meio
Sempre no meio
Na média
No médio
O médio
O tédio do meio
O meio que veio
Somente até aqui
Até o meio do existir

No meio, em busca do que veio
Em busca de seu meio
Não o meio de opção
O meio da tensão
De quem, viveu e vive, nascido
No meio
Quem se quer partido, rompido
Longe do meio.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Um poema por dia - 04/06 - O poema que eu perdi

04/06

O poema que eu perdi

Dia desses acordei com uma rima
E resisti
Andei pra baixo e pra cima
Ela aqui
Na cabeça, esperando, esperando
Pra sair
Fui deixando, deixando, deixando
Até sumir
Passou o dia, se foi, partiu
Por aí
Pensei no verso; se foi, fugiu
Desisti
Era uma rima sobre uma bela
Disso não esqueci
E eu rimava com o nome dela
No poema que eu perdi.

beijo

:*

teu beijo foi um beijo um dia
quando mais de um, me vinham aos montes.

teu beijo perdeu a melodia
de beijo virou bjo.
quando mais de um, vinham bjs.

teu beijo vai desaparecendo
hoje já me escreve bj;
amanhã será um b, ou só um j
e depois, nada.

nem beijo, nem letra, nem você.

nem nada.

Um poema por dia - 03/06 - Jogo de letra

03/06

Jogo de letra

E agora?
Qual é a letra que vigora?

Astuciosa Banida
Confusa Detida
Eleita Função
Grandeza Humilhação
Insidiosa Janela
Levantando Manuela
Negando Orientar
Pensando Questionar
Reorganizar Sentado
Testemunho Urrado
Visto, Xeque
Zelado.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Um poema por dia - 02/06 - Canto do renascimento, 27 anos depois

02/06

Canto do renascimento, 27 anos depois

Aos amigos,
bem-vindos! Aos queridos,
partidos, por vindos,
minha palavra:
de que não posso falar de jornada
que não seja minha própria estrada;
não digo o que deve ser
tampouco o que será;
escrevo que pude ver
anseio pelo que virá;
compartilho e lhe peço um abraço.
O abraço me é muito caro,
quando inteiro, completo, é raro;
teu carinho comigo, sozinho,
tão sozinho
que não sabes nem nunca saberás;
agradeço como posso, como consigo
e tento, me ponho a sonhar mais
sonho demais
por saber, saber de menos
pouco, nada, a voz calada
e pensamentos soltos
revoltos
errados de erro inocente
de não ser meu o que tenho
em mente, em sangue, onde mais?
Sou preso. em preconceito e desprezo
escondido de todos
atrás de um sorriso
atrás de um juízo.
Sou entre sol e noite,
entre forca e açoite;
insone deitado, sonhando acordado,
acomodado e atormentado
tenho estado
estacionado e impregnado.
E por que não podemos ser melhores?
E por que temos que ser melhores?
Porque não basta, nunca basta
o que nos resta, o que nos cerca...
quero que passe,
quero o impasse.
Quero liberdade
daqui, de tudo;
liberdade tardia, que me chegue um dia
pois espero de esperança
desejo como criança
viver poesia
um pouco de cada dia;
viver a poesia de viver
lutar, lutar, sempre lutar
não para ganhar ou para vencer,
lutar para não perder
para não perder
o tempo, sempre ele, o tempo
dilacera o coração
possuído de emoção
grito e peço
e me despeço
do eu que era,
de mim da terra;
vou voar, vou ver o mar
vou voar
debaixo da luz, de olho no sol
sabendo que contra o céu
mesmo em dia não se vê,
ao que a noite escura
muito faz aparecer;
desimportar, encorajar,
um bom lugar pra começar,
pra renascer.

Filmes e memorabilia 2013 - Um crime de mestre

82. Um Crime de Mestre – 08/06 – internet – repetido?

Não me lembro de já tinha assistido a ‘Um crime de mestre’. Isso é muito, muito raro de acontecer. Eu achava que não tinha assistido. Até achar um registro antigo, uma lista dessas de filmes vistos no ano. E lá estava ele marcado. Visto (ou revisto?) o filme, minha dúvida persiste. Realmente não me lembro de tê-lo visto. Essa pequena amnésia pode dizer muito a respeito da minha condição quando assisti (se é que assisti) a esse filme pela primeira vez ou pode significar bastante sobre o filme em si.

Minhas impressões:

Não há qualquer hesitação em usar os clichês do suspense de tribunal. Jovem advogado bonitão (em uma única cena já sabemos que ele vai comer a única personagem feminina com tempo de tela relevante); ele precisa escolher entre a ética e o dinheiro; vai aprender uma lição e se tornar menos arrogante, um ser humano melhor; o velho elegante inteligente, mestre do crime; as obviamente necessárias reviravoltas no meio e no fim...

Acho sempre bom acompanhar o trabalho de Ryan Gosling, é um sujeito que admiro. Acompanhado de Anthony Hopkins então, belo embate. Pena então que o resto seja tão genérico.

Esperando lidar com espectadores desacostumados a pensar enquanto assistem a um filme, o filme coloca os personagens para dar explicações o tempo inteiro. Pessoalmente, me atrai mais um tipo de filme com lacunas, especialmente se estamos no gênero do suspense.

As reviravoltas são obrigatórias neste tipo de filme. O desfecho do caso é interessante (apesar de poder ser antecipado pelo espectador mais atento). Mas bons atores e um bom desfecho bastam? Hitchcock fez filmes de mistério com desfechos surpreendentes, mas com personalidade, autoralidade, clima, fotografia, enquadramento. Aqui, tudo soa genérico (direção de Gregory Hoblit, do ótimo ‘As duas faces de um crime’).

No fim das contas, apesar dos pesares, e se você não se importar com os clichês e aquele clima de ‘já vi isso antes em algum lugar’, ‘Um crime de mestre’ pode ser um bom passatempo. Como um romance policial, ou um daqueles filmes para o sábado à noite em que você ficou em casa e quer ver uma coisa boba qualquer pra distrair, com tudo bem explicadinho.


MEMO: Hmmm... perigosa essa sessão neste caso, dado o início deste texto... mas se revi este filme, vou tentar guardar desta vez a resolução do plano. O primeiro confronto direto entre Gosling e Hopkins, numa cena a dois, também merece menção.


domingo, 9 de junho de 2013

Um poema por dia - 01/06 - Sob a luz

01/06

Sob a luz

Uma cachoeira de luz
Uma queda de luz
Conduz ao presente
À correta incerteza
Da separação
Entre ser e poder
O poder da beleza
Da definição
De poder ser
Além do que se dá
Do que se tem, além
Salve já, pense lá
Pera lá. Pudera
Quando não se espera
Vem o início de uma nova era.

Música do dia #16 - Águas de março - Elis e Tom

Águas de março - Elis Regina e Tom Jobim
Composição: Tom Jobim
Letra
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho
Resto, toco, pouco, sozinho
Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.